MARCOS COUTINHO LOBO


MENSAGEM DE FIM DE ANO

Caros amigos.
 
Todo fim de ano é o mesmo ritual.
 
As mesmas felicitações: boas-festas, próspero ano novo, feliz natal e outras assemelhadas.
 
Comuns de tal forma que parecem mecânicas e, para aflição de alguns ou alheamento de muitos, chega-se a ponto de não se saber verdadeiras ou falsas.
 
Verdadeiras ou falsas, sinceras ou não, acho-as insípidas, inodoras e incolor. São sem vida, sobretudo. Talvez por isso sempre me senti avesso enviá-las. De toda sorte, é bom ser lembrado.
 
Ponto final para explicações, nem sempre suficientes e, muitas vezes, não compreendidas.
 
Aos amigos e a quem mais desejar, que tenham “GRANDE SAÚDE”.
 
A explicação para o conceito de “GRANDE SAÚDE”, colho-a em Nietzsche:
 
“Nós homens novos, inominados, árduas na compreensão, precursores de um porvir ainda não demonstrado, temos necessidade de novos meios para um escopo original, isto é, de uma nova saúde, mais exuberante, mais perspicaz, mais tenaz, mais temerária e mais serena do que até agora tem sido qualquer outra saúde. Aquele cuja alma seja ávida de conhecer todos os valores que já existiram e todos os desejos até agora insatisfeitos, almejando explorar todas as costas deste ‘Mediterrâneo’ ideal da vida, aquele que quer conhecer por meio das aventuras da própria experiência quais sejam os sentimentos de um conquistador e de um explorador de ideal, nutrindo também o desejo de conhecer quais as sensações dum artista, dum santo, dum legislador, dum devoto, dum douto, dum adivinho, dum divino eremita do velho tronco; esse terá, antes de tudo, necessidade da grande saúde, duma saúde que não só possui, mas que se alcança sem tréguas, devendo-se conquistá-la, porque, sem tréguas são esses sacrifícios que surgem outros sacrifícios! Agora, depois de termos percorrido tão longos caminhos, nós, os Argonautas do ideal, mais audazes, talvez, do que nos aconselha a prudência, frequentemente náufragos, porém mais sadios do que porventura se desejem, perigosamente saudáveis, sãos novamente, acreditamos ter diante de nós, como se fora recompensar um país desconhecido do qual até agora a ninguém foi dado observar as fronteiras, um para lá de todos os países, de todos os recessos do ideal até aqui conhecidos, um mundo tão rico de coisas belas, estranhas, dúbias, terríveis e divinas, que a nossa curiosidade e a nossa sede de posse ficaram perplexas!”
 
 
MARCOS COUTINHO LOBO


Escrito por MARCOS COUTINHO LOBO às 09h43
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